segunda-feira, 17 de março de 2014

outro



o que não me agrada no outro não deve necessariamente ser motivo de crítica. deve, mais importantemente, ser motivo de seleção: guardo ou não guardo para mim. o que não me agrada no outro são, muitas vezes, aprendizados dos dois lados: as vezes só dele, as vezes dele e meu. dele: crescimentos naturais, evolução, amadurecimento. meu: saber lidar, compreender, absorver apenas o que me vale, ou fazer-lhe espelho para que cresça também eu. ser nobre o suficiente para não julgar, a menos que isso me seja pedido; ser madura o suficiente para saber calar, pois palavra nem sempre é remédio; ser inteligente o bastante para discernir até onde vão minhas portas abertas.

o que não me agrada no outro que me sirva, meu deus, para me tornar outra também. 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

nota




quis caber no teu abraço magro, pensando, talvez, em me somar. não nos fomos macios. não nos contamos. ensaiamos, mas erramos os passos. caminhávamos desertos, à espera de curas, com os olhos escancarados - mas o coração não. até que um enorme silêncio nos gritou.

nunca dormi direito ao seu lado.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

precisar


eu poderia aprender violão, mas quero precisar da minha irmã tocando pra mim. eu escolho não entender nada de computadores para ver meu irmão, do outro lado do mundo, entre skypes e conexões, disposto a me guiar. muitas vezes, no lugar de ligar diretamente para minha avó para saber dela, ligo para minha mãe - assim eu sei da duas, envio amor às duas. e nunca guardo nada sobre os consertos do meu carro para que eu possa ligar para o meu pai e ouvir, além de uma pequena bronca e a lista do que devo fazer de novo, um eu te amo no final.

quero precisar do outro. porque isso não quer dizer só dependência – quer dizer também vínculo. porque isso não denota invariavelmente submissão ou displicência – pode denotar também sentimento. somos laços por natureza, desde que nascemos.

se bastar é importante. mas precisar também é querer bem.