quinta-feira, 31 de julho de 2014

ddd


ele diz que sente saudade, eu digo que tenho vontade. mas ambos queremos o mesmo. finjo menos, talvez, aceitando ser presa. ele romantiza, por certo, querendo atacar. e distantes nos aproximamos em mente, lembrando calores, suores misturados, pressa de fundir os corpos, derrubando abajur e copos, espalhamento de doces fúrias com os dentes, com os dedos, com as línguas, com tudo o que pensamos – sentimos – ser bom. de repente, 52 graus debaixo da roupa. de repente, arrepio correndo veloz na espinha. de repente, os olhos que se apertam e o sorriso que folga, e uma intensidade iminente que cala querendo gritar. ele diz que sente saudade, eu digo que tenho vontade. mal podemos esperar por nós.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

suspiro


o lado bom de estar cansado é que a gente se amansa. não há riso, nem choro - não há força. somos entrega. boiamos ao longo do rio. e deixamos que ele nos mostre algum rumo.


quinta-feira, 27 de março de 2014

conversa no espelho


tudo me diz: vai.
tudo,
menos o medo.
o medo,
esse homem calado,
que fala pouco,
mas tão duramente.
o medo,
essa sombra que fuma
a espera de desistências,
persistente.
o meu coração diminui
só de ver
o seu vulto rondar.
duvido da força do sonho,
abafo qualquer sentimento,
sou toda um hesitar.
e desejo que vá para longe
tentando escutar meu de dentro;
e desejo que morra bem rápido,
porque, meu deus, perco tempo;
e desejo e desejo e desejo
mas imobilizada
não consigo lutar...
medo,
destranca minhas portas,
me deixe ir:
se vá.

segunda-feira, 17 de março de 2014

outro



o que não me agrada no outro não deve necessariamente ser motivo de crítica. deve, mais importantemente, ser motivo de seleção: guardo ou não guardo para mim. o que não me agrada no outro são, muitas vezes, aprendizados dos dois lados: as vezes só dele, as vezes dele e meu. dele: crescimentos naturais, evolução, amadurecimento. meu: saber lidar, compreender, absorver apenas o que me vale, ou fazer-lhe espelho para que cresça também eu. ser nobre o suficiente para não julgar, a menos que isso me seja pedido; ser madura o suficiente para saber calar, pois palavra nem sempre é remédio; ser inteligente o bastante para discernir até onde vão minhas portas abertas.

o que não me agrada no outro que me sirva, meu deus, para me tornar outra também. 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

nota




quis caber no teu abraço magro, pensando, talvez, em me somar. não nos fomos macios. não nos contamos. ensaiamos, mas erramos os passos. caminhávamos desertos, à espera de curas, com os olhos escancarados - mas o coração não. até que um enorme silêncio nos gritou.

nunca dormi direito ao seu lado.