terça-feira, 14 de junho de 2011
por um minuto
segunda-feira, 6 de junho de 2011
coragem
Não haverá sempre mão estendida, mas que não me falte fé. Não haverá sempre riso, mas que não me falte esperança. Não haverá sempre sim, não haverá chuva de compreensões, vontades, humanidades, coisa de gente bem gente, eu sei... Mas que haja em mim coragem, muita coragem - essa mesma que me dirige desde sempre e cada vez mais. Que haja Deus e os seus presentes, que haja os amigos e as possibilidades, que haja o redor, vivo, atraente, engrandecedor. Que haja os meus porquês, o que me mantem firme, forte, sonhadora, crente. Que eu saiba separar o joio do trigo, a verdade da desilusão, o acaso do destino. Que eu saiba... Mais, sempre, de tudo, incansavelmente aprendiz. Venha o que vier.
terça-feira, 3 de maio de 2011
novidade
Eis que o destino e suas (ou minhas?) loucuras acontecem: me mudei para São Paulo. De uma vontade de tudo, de um medo de tudo, de uma esperança de tudo, de uma certeza de nada. Vim assim, repentinamente, sem me dar chances de outras opções. Aportei com minhas poucas malas e tantos sonhos. Frio na barriga e em todas as outras partes do corpo. Me joguei sem pensar – é hora de sentir.
Me mudei para São Paulo. Encaro meus medos todos os dias: cumprimento-os com uma naturalidade lentamente crescente, desejando ansiosamente que eles, algum dia, não sejam mais meus.
Às vezes é triste olhar para trás e pensar no que deixei; às vezes é duro olhar para frente e ver o tanto que ainda tenho para caminhar. Mas sacudo os pensamentos, engulo o choro, respiro fundo e firmo os pés, ainda que temerosos: escolhi. É. Será.
Vivo a cidade. Pergunto se vai chover, eles dizem que não - o céu é mesmo assim. Rio e faço que tudo bem: quero o que é possível, o que tiver de ser meu. Procuro me conformar com o que for necessário, por enquanto.
O vento gelado abusa, me estraga a voz e a saúde, mas sigo. Caminhos meus passos procurando graça para os olhos, inventando coisas, metas, projetos, preenchimentos de tempo. Rio das minhas bochechas vermelhas, queimadas do frio. Ouso sonhar com cores. Observo, pelas janelas dos táxis, esse mundo de concreto e luz que agora é também meu.
Suspiro, como quem só começa, mas também acredita: que labirinto enorme para a minha poesia.
quarta-feira, 16 de março de 2011
banho de vírgulas
baby, quero seus dedos pentes nos meus cabelos, seus dedos dentes na minha carne, suas tantas e enormes emoções-perfume. quero vento bagunçando meu juízo – ou, por ora, organizando; quero festa de sonhos - por favor, traga os seus! quero ver o sol nascer na beira do mar, molhar os pés, lavar a alma, transbordar my soul. quero a leveza e a liberdade dos que andam em parapeitos de terraços, dos que dançam neles! quero a coragem dos que dormem em trilhos de trem... quero correr mais os olhos na alma das coisas, sentir as coisas, viver as coisas, sem pressa, sem outra pauta, sem essa violência que lançamos em tudo, essa violência que rouba o brilho, a grandeza, a participação indispensável na costura que é a felicidade. quero escrever bobagens, enumerar metáforas, bordar minúcias, assumir meus contrários, derramar loucuras, exclamações, exclamações! que os outros chorem ou riam, achem viagem, cansem os olhos, praguejem ou me afaguem, entendam ou lamentem, me abracem, me falem, me sejam, me doem... mas quero. quero muito... quero tudo o que a mim couber – e só. querer também é meu combustível.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
mãos
Que temos nas mãos além de dedos? Medos? Sonhos? Vãos? Que há em seus traços além de marcas? Pele? Destino? Nãos? O que é possível com elas prender? O que é possível por elas perder? O que as une, o que as transpassa, o que as enlança a outras mãos? Cabem ali quantos mundos? Dormem ali que saudades? Quanto de mãos é só mãos, quanto de mãos, possibilidades?
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
dengo
Coisa boa é dengo. Aquele calor do cair da tarde na cama e par. O carinho dos dedos na ponta da orelha, o desenho dos contornos no rosto, o arrepio na nuca depois de um cheiro bom. Enrolar a pontinha do cabelo, juntar os pés até que eles se encaixem feito peças, procurar quentinho e conforto para a cabeça que recosta no peito. E ali dormir, e ali sonhar, e ali ouvir qualquer coisa - ou, com perdão, apenas fingir que está ouvindo, já que bate alto o amor ali dentro. Beijos suaves carimbando mãos, braços, pescoço, bochechas e onde mais houver espaço para o afeto. Que bonito é transformar em gesto o carinho sentido, a vontade de estar ali e sempre. Dengo é declaração de amor sem texto. Doce, puro, espontâneo e instantâneo. A prova mais linda do que é o querer muito, o querer bem.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
conclusão
Duraremos
enquanto a distância
se fizer arrepio
enquanto a lembrança
for inteira e presente
enquanto as fotos
em nossas mentes
não ousarem desbotar.
Duraremos
até que venha o outro
E o abismo entre os dias
aconteça
Até que os futuros dos verbos
Percam seus rumos
E o que pulsa em nós
Desfaleça.
Duraremos
Até que se façam singulares
Todos os nossos sonhos
Ambos os nossos peitos
e sujeitos:
novamente estranhos
E dois.
sábado, 15 de janeiro de 2011
renovação
Fecho as cortinas
Lentamente
Quase que lamentando o abandonar
Das cores do cair do sol.
É noite.
Hora de renovação.
Repousar o cansado dito
O doído sentido
A poesia filha de mãe somente
E todas as coisas
As quais,
talvez por demais,
Embora tão entreguemente,
abriguei.
Sinto o soprar do vento
seu passeio pelo meu rosto
Alívio para o leve ardor
Desse corte fino
Que é o momento.
Nada lamento:
Sorrio por tudo.
Fui sempre tudo o que pude
Fui sempre tudo
E até além mais.
Fiz-me avesso e sangue
E alma e riso
Carinho e palavra
E toda pureza que um coração
Pode conter.
Fui inteira.
Sensação de f(r)ase pontuada.
Agora é noite
e o céu recebe as estrelas:
hora de renovação.
domingo, 9 de janeiro de 2011
pra fora
Ou escrevo, ou deságuo. Embora nesse momento precise de ambos. O inferno astral me visita de novo, eu que sou tão pouco de astros. (Lembrando de quando chorava por tudo e por nada: pouca coisa mudei). Meu corpo e alma funcionam tão parecidos: um mal estar imenso me toma agora e, analisando, diagnostico. Tenho me alimentado constantemente de sentimentos com curta validade; no momento, meu organismo se esforça para expulsar o último desses consumos. Sinto calafrios e derramo pelos olhos o que não posso fazer pelas outras partes do corpo. Me contorço. Me contraio. É uma luta: desintoxicação. Não há remédio para este mal: é preciso passar por todo o processo, é preciso deixar que ele aconteça por si só. Tão cansada. Febril. De delírios. Dói. Choro. Perdão, porque também escrevo. Trago para cá estas linhas pingando sangue, não repare, e, se puder, me diga: há algo de belo? Me sinto pequena, mas sei, eu sei, é só um momento. Estou tentando deixar sair também pelos dedos todo esse mal estar, estou deixando vir os pensamentos e palavras, não reviso, não releio, estou deixando tudo isso sair. Assim, como tem que vir. Quanto de mim é riso? Quanto de mim é pedra? O que me fez assim? O tempo me fez forte e fraca. Os amores trouxeram dúvida, os desamores certezas. Que confusão sou eu? O que busco, o que tenho? Que droga. Eu que não queria ser assim noir em janeiro, meu mês; eu que queria começar o ano com certezas, eu que tanto sorri e pulei ondas e desejei, e aceitei a vida e firmei sonhos, me vejo sozinha, nua, chorando, noite, escuro, saudade, incerteza, tristeza e culpa pela tristeza, meu Deus, eu sou só enumerações. Me contraio. Me contorço. Mas eu sei, eu sei, é só um momento. Deixa o ponteiro correr.
domingo, 19 de dezembro de 2010
das delicadezas
e sela com um beijo
a certeza de que estou dormindo bem.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
da gaveta
Os lábios dele
Em precisos movimentos
Atentos
Prontíssimos para atacar
Dali escorregam palavras
Ali é que fervem os desejos
Ainda que beire uma mágoa
O que impera
é a vontade de beijoquarta-feira, 20 de outubro de 2010
destino das coisas
Dirijo pelas ruas assistindo a chuva a derrubar os medos do mundo. Há tudo de melancolia no ato de chover: ao mesmo tempo em que a chuva lava, leva.
Uma cena corriqueira sempre me desperta sentidos em tempos assim: na beirada de um e outro paralelepípedo, durante o percurso, vejo guarda-chuvas destruídos, abandonados. agonizando a ira do vento. Sugerem tristeza: não tiveram força para suportar sua missão. Têm sua fraqueza exposta em meio ao caos, quase que imperdoavelmente. Que dor lhes é maior agora? Alguma coisa salva o seu erro de existir?
Trago de volta para a pista o olhar. Rio sozinha.
Que necessidade em mim é essa que até ao que não sente quer fazer sentir.