33 é um vinho
sozinha, deitada no sofá, sob meia luz da sala, comemorando a vida. ė saber o
que sonha, e não saber o que virá - mas já saber, dentro de si, que seja lá o
que for, a vida providencia. 33 é dizer sem delongas quando não gosta, é
esclarecer quando é preciso, é saber o que quer e aonde quer ancorar. 33 é
ainda querer dengo, mas saber a hora de ter - e com quem. é ter caixas de
fotos, saudades de datas, vontades de mais. é ter o rímel borrado diante do
espelho por bem menos tempo - demaquilante rapidamente à mão. é compreender o
amor e pacificar a busca por ele. 33 é ter fome no meio da festa, sono no
começo da noite, coragem no meio do medo, certeza no meio da dúvida,
ombros e colos já permanentes de afeto. 33 é pensar que deveria estar como todo
mundo, mas logo saber que você não é todo mundo, e que o seu caminho é escrito
por linhas só suas. 33 é ter ainda mais certezas de deus, desejar uma família e
saber que ela virá, é ter experimentado o mundo e guardar na boca o gosto dele,
é acreditar mais em você, doar-se mais a você, saber-se cada dia mais. 33 é só
o começo. porque o começo, na verdade, aos 33 a gente sabe: é sempre.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
terça-feira, 21 de outubro de 2014
retas paralelas se encontram no infinito
teus olhos
confessando
o que havia
lá no peito
e eu, ali, chorando
tão sem jeito
no silêncio de nós
e do nascer
daquela manhã
o destino parecia
já haver designado:
cada um para seu lado
não há mais tempo de ser.
morria, o amor,
antes mesmo de nascer.
antes mesmo de nascer.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
ddd
ele diz que
sente saudade, eu digo que tenho vontade. mas ambos queremos o mesmo. finjo
menos, talvez, aceitando ser presa. ele romantiza, por certo, querendo atacar.
e distantes nos aproximamos em mente, lembrando calores, suores misturados,
pressa de fundir os corpos, derrubando abajur e copos, espalhamento de doces
fúrias com os dentes, com os dedos, com as línguas, com tudo o que pensamos –
sentimos – ser bom. de repente, 52 graus debaixo da roupa. de repente, arrepio
correndo veloz na espinha. de repente, os olhos que se apertam e o sorriso que
folga, e uma intensidade iminente que cala querendo gritar. ele diz que sente
saudade, eu digo que tenho vontade. mal podemos esperar por nós.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
suspiro
o lado bom de estar cansado é que a gente se
amansa. não há riso, nem choro - não há força. somos entrega. boiamos ao longo do
rio. e deixamos que ele nos mostre algum rumo.
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