quarta-feira, 8 de maio de 2013

ponto final.


do tempo que escorre,
o que vai, o que fica?
o que finca
dentro de nós?
quanto de vida
perdemos
enquanto mantemos
buracos
nos tornando sós?
quanto já é cansaço?
quanto é apenas medo?
quando ousaremos
entregar-nos
o que tanto
fazemos segredo?

sei é que minha mão estendida
doída
já começa a cansar...
de um ‘vem’ para um ‘adeus’
já é hora:
a vida começa a chamar.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

mergulho


diante dela, um pequeno mar feito de azulejos. Fazia frio - era alto e ventava. talvez não fosse lá o momento melhor... mas antes do melhor, sabia, vinha o preciso.

refletia a água a sua imagem. refletia ela mesma, por dentro, também. respirou fundo tanto quanto pode e, de uma coragem vinda ninguém sabe de onde, mergulhou.

de roupa, nua como nunca antes.

entregue, laboratório de si.

deixou o peso do corpo existir e alojou-se no fundo da piscina. só, com seus pensamentos, seus limites, suas humanidades.

forçou-se o passar do tempo. 1, 2, 3 minutos. aceitava, num embate consigo, a agonia do peito. 4, 5, 6. sentia o corpo ceder, a alma gritar, tudo ir de encontro. 5, 6,7. e esvaía conscientemente, resistente, apenas, em sua decisão. 8, 9, 10. o coração, desacelerado, já não mais possuía os absurdos da vida; a mente já não respondia, tomada pelo líquido do encontro. 11, 12, 13. era dada a hora: os olhos sangrados, as mãos sem vida, o corpo frio ali residia, invadido violentamente. imerso, lavado, afogado, imune.

.

.

.

subiu de um impulso, resgatando o ar. era morto, finalmente, o medo.






segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

gás


Que haja sede!
Sem ela,
Os sonhos descansam
Os planos amornam
As mãos enfraquecem
O sangue nunca ultrapassa
seus comedidos 37 graus.

Que haja sede!
O alcance imaginário
dos olhos
As guerras anunciadas
no peito
O cravejar dos dedos
Em tudo o que é, será,
Possivelmente seu.

Mas que haja também
Copo d’água,
Rios,
Cachoeiras,
mares inteiros!
Que a sede saciada
É tão importante
quanto a que não.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

memória da pele


deitados de bruços,
ao risos-soluços,
engravidávamos da noite
- seria nossa eternamente.

o chão se invertia:
era céu onde deitávamos
e amávamos
enquanto o vento
nos lambia.

rachávamos os copos.
fundíamos os corpos.
grudávamos os lábios,
os sonhos, a alma.

e tudo era nada lá fora
tudo era só o agora
a paz de dois seres em chamas,
dois peitos em calma.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

diante do sol


de braços abertos
me faço átomo
parte irrisória
do infinito

cega
esse brilho bonito
mas também alarga
o resto que sente

é bom.

buscar razão demais
tira a saúde da gente.